Quando
Diego e Marcelo passaram na casa de Vanessa para deixar o menino, ainda faltava
um tempo até encontrarem com o resto do pessoal, o que deu a Diego a chance de
perguntar como estavam as coisas entre a moça e o pai da menina. Ao ouvir a
pergunta, Vanessa suspirou cansada, enquanto olhava por sobre o ombro para a
filha e os dois amiguinhos que entravam na casa. Paulo ficando alguns passos
atrás dos outros dois.
—
Nem te conto... Depois daquele papelão no aniversário, o Silas veio aqui buscar
ela e claro, a Agatha fez um escândalo e gritou que nunca mais queria ver ele
na vida... E apesar de já fazer duas semanas que ele não vem buscar ela, eu
tive de ir atrás da minha advogada para informar isso... Ou então segundo ela,
eu seria acusada no futuro de ter feito “alienação parental”. — Diego viu a moça tentar sorrir e notou como que
ela exibia olheiras fundas embaixo dos olhos.
—
Mas então, por enquanto ele não tem motivo para te acusar, certo? Você avisou
tudo direitinho. — ele não entendia muito sobre divorcio ou guarda de filhos,
mas tinha uma breve noção de que em muitas vezes, as mães eram que tinham de
lidar com o fardo maior.
—
Por enquanto sim, mas ela me disse para eu mandar mensagens de whats para ele e
tirar um print, recebendo uma resposta ou não. E também enviar por email ou
qualquer outro formato que eu consiga guardar uma cópia. O Silas sempre foi
irresponsável, mas depois que se envolveu com aquelazinha lá... Eu não gosto de
mandar a Agatha para ficar com ele, quando aquela mulher está lá... Já tivemos
casos horríveis envolvendo namoradas dos pais da criança e toda vez que ela vai,
eu fico com o coração na mão. — Vanessa espiou mais uma vez por sobre o ombro,
para se certificar de que a filha não a estava ouvindo.
—
Ainda assim, eu nunca falei mal dele para a Agatha. Por mais crápula que ele
tenha sido como marido, eu não quero manchar a imagem que a minha filha tem
dele... Se bem que, ele mesmo esta fazendo isso sozinho. — um barulho pesado
vindo de dentro da casa chamou a atenção dos três adultos e fez com que Vanessa
tivesse de se despedir as pressas, mas não sem antes Diego sugerir que eles
saíssem ainda aquele mês para um barzinho ou lanchonete.
—
A gente chama uma babá de confiança para ficar com as crianças, porque Vanessa,
você também precisa sair um pouco. — Diego se sentiu mal de dizer isso,
enquanto deixava o irmãozinho ali e ia passear e como se tivesse lido aquele
pensamento, a moça sorriu e comentou que — Não se preocupe com hoje, fui eu
quem sugeriu. Mas adoraria sair com vocês no futuro. Obrigada pela preocupação,
mas agora eu tenho de entrar e ver se eles não se machucaram. Tchau, bom
passeio pra vocês! — o portão se fechou, mas Diego ainda permaneceu mais alguns
segundos encarando o local e só voltando para o carro após ouvir o marido
chamá-lo.
***
Algumas
horas antes, Francisco passou buscar o namorado na loja de sabonetes e assim
que o loiro entrou no carro, ele viu a expressão frustrada do outro e
desconfiou.
—
Aconteceu alguma coisa? — Francisco demorou alguns segundos para responder, o
que só fez com que a ansiedade nervosa de Joaquim aumentasse. Ele pensou em
todo tipo de desastre e situação ruim que poderia acontecer e quando o namorado
enfim contou o motivo, para surpresa do loiro, ele ficou aliviado.
—
Não vou poder ir com vocês ao cinema hoje a noite. — o loiro quase disse “Ah, então é só isso”, mas resolveu ficar
em silencio para não magoar o namorado. Ao invés disso, após alguns minutos,
perguntou de forma casual.
—
O que aconteceu? — e então ele ouviu sobre o problema constante que a editora
onde Francisco trabalhava vinha tendo com a produção dos livros didático. Com
aquela anta idiota no poder, a obrigatoriedade de revisar erros gramaticais e
colocar bibliografia no fim dos livros havia se tornado opcional... Até que
grandes grupos de docentes começaram a reclamar e enfim o MEC voltou atrás,
exigindo a correção dos exemplares.*
—
E como eu faço parte da diretoria editorial, vou precisar participar de uma
reunião que segundo previsão de um colega, vai durar até umas dez da noite,
talvez até mais... Eu queria sair com vocês, mas né? Aquela anta tinha de mexer
no que tava quieto e arrumar pra cabeça de todo mundo na editora! — Francisco
não tinha um dia de folga há muito tempo, com exceção dos domingos, e vê-lo irritado
com aquilo fez Joaquim se sentir mal por sair.
—
Eu vou ficar em casa então. A gente sai outro dia. — declarou com convicção,
mas mal terminou de falar, foi interrompido pelo namorado, que ao parar em um
semáforo, o encarou de forma fixa enquanto dizia.
—
Não, você precisa sair um pouco. Acha que eu não estou vendo como você fica
cansado com o trabalho, o curso técnico e agora os preparativos pro casamento?
Eu quero que você vá e distraia a cabeça e daí outro dia a gente sai juntos. Tá
bom? — Joaquim sentiu um afago suave ser feito em seus cabelos e as pontas dos
dedos longos do outro roçar contra a sua testa, causando um arrepio gostoso e o
fazendo sorrir.
***
Quando
Vanessa entrou na casa, encontrou as três crianças atirando almofadas uma nas
outras, Agatha exibindo uma expressão raivosa que não era normal dela.
—
Parou, parou! O que está acontecendo aqui? — ela tomou uma almofada da mão da
filha e disse para os três se sentarem no sofá. Agatha ficou no meio, Luís a
esquerda e Paulo a direita.
—
Agora... Como isso começou? Eu fiquei ali no portão por cinco minutos! — Agatha
fungou baixinho e olhou para o lado, enquanto os dois meninos encaravam o chão
com uma expressão envergonhada.
—
Ah mãe, a gente só tava brincando. — respondeu a menina com um tom mal-humorado
de voz enquanto cruzava os bracinhos finos sobre a almofada que havia pegado no
sofá.
—
O Paulo veio aqui para vocês fazerem as pazes, lembra? Eu vou ali na cozinha
preparar um lanche para vocês e enquanto isso, porque não conversam e resolvem
essa picuinha? — desde que a menina havia gritado com o pai há algumas semanas,
o comportamento de Agatha estava insuportável e por mais que Vanessa estivesse
se esforçando para ser paciente e compreensiva, não sabia quanto tempo mais aguentaria
aquilo sem dar uma bronca na menina.
Ao
ver que a mãe entrou na cozinha, Agatha esticou o pescoço para confirmar que
eles estavam a sós e em seguida lançando um olhar frio para Paulo e dizendo. —
E então? — ao que o menino em resposta crispou os lábios e fixou a visão em um
ponto qualquer da sala.
—
Eu não quis... Parar de falar com vocês. Eu só... Não queria deixar vocês
tristes de novo, daí eu achei que se a gente não conversasse mais, talvez eu
não falasse coisas que iam chatear vocês... Desculpa Agatha. Desculpa Luís. — foi
quando Paulo sentiu os braços esguios e mornos de Agatha envolver seu pescoço e
em seguida, o aperto suave que o abraço de Luís exercia sobre ele também.
—
Você é um bobo, Paulo. — murmurou Agatha com o rosto contra seu ombro enquanto
o aperto ao redor dele ficava mais forte e dentro daquele abraço, o menino riu
e chorou, porque tinha sido muito bobo mesmo e quase perdeu seus dois melhores
amigos por causa disso.
—
Desculpa! — Paulo balbuciou enquanto sentia o abraço dos dois ao redor dele e
ouvia Agatha repetir “bobo, muito bobo!
Mas eu gosto de você por causa disso”.
Da
porta da cozinha, Vanessa espiava as três crianças fazerem as pazes e pensava
que o mundo seria um lugar muito melhor, se todas as discussões pudessem ser
resolvidas com a mesma facilidade que uma briga infantil.
—
Quem quer comer um lanche? — ela enfim anunciou, atraindo a atenção dos três
que saltaram do sofá indo em direção à cozinha, mas antes que eles pudessem
sentar à mesa, Vanessa disse. — Vocês não estão esquecendo nada não? — ao que
as três crianças responderam em uníssono. “Lavar
as mãos!”
***
—
Então você não vem pra casa comigo hoje? Só foi me buscar e vai voltar pra
editora? — perguntou Joaquim quando viu que se aproximavam do apartamento, se
esforçando para não transparecer a irritação que estava sentindo naquele
momento.
—
A gente pode almoçar juntos em casa, mas daí eu vou ter de voltar pra editora.
— Observando o namorado com o canto do olho, Francisco viu uma expressão
decepcionada e pensou em dizer algo, mas acabou desistindo enquanto entrava com
o carro na garagem do prédio.
Subiram
pelo elevador em silencio, mas assim que eles entraram no apartamento,
Francisco abraçou o outro pela cintura, aspirando ao aroma suave do shampoo que
vinha dos cabelos macios dele e sentiu Joaquim suspirar dentro do abraço.
—
Eu não quero parecer mimado fazendo uma birra ridícula só porque você tem de
trabalhar... É só que, a gente tem se visto tão pouco... E eu estou com...
Saudades. — declarou o loiro enquanto baixava o rosto, para tentar esconder o
rubor que surgia em suas bochechas.
—
Também estou com saudades de passar um tempo com você. Mas amanhã eu vou estar
em casa e a gente pode ficar juntos... Se você quiser. — Francisco sentiu o
corpo delgado de Joaquim girar dentro do abraço e então observou aqueles olhos
claros o encararem de baixo, exibindo um brilho feroz.
—
Eu quero! Quero muito... — o rapaz encostou a cabeça no peito do namorado e
suspirou baixinho, se repreendendo mentalmente por parecer tão carente e...
“grudento”. Aquela era uma palavra boba, mas que machucava, já que seu ex
abusivo, Jonas, não perdia uma chance de dizer isso a ele e sempre em um tom de
voz cruel e cheio de repulsa.
—
Você não está sendo “grudento”. —
Joaquim se surpreendeu ao escutar o outro dizer as exatas palavras que ele
estava pensando naquele momento, e antes que pudesse sequer formular uma
pergunta, viu Francisco complementar a fala, enquanto exibia um sorriso bonito
emoldurado por aquele bigode castanho cheio de que o loiro tanto gostava.
—
Eu te conheço há tempo o bastante para saber que era isso o que estava passando
pela sua cabeça. Mas eu nunca vou me incomodar de você demonstrar interesse em
querer passar um tempo comigo. Na verdade... — ele fez um afago delicado no
rosto do outro — eu acho bem fofo.
Em
resposta, Joaquim escondeu o rosto contra o peito do namorado, enquanto
experimentava a sensação que os batimentos do seu coração faziam em um ritmo
alucinado. E após ficar longos minutos ali, seguro no abraço de Francisco,
enfim o loiro se afastou com cuidado e anunciou que faria algo para almoçarem.
—
Não tem muita coisa, a gente precisa marcar um dia e ir ao mercado, mas acho
que dá prá dar um jeito por hoje. — declarou Joaquim enquanto abria o armário sob
a pia.
—
Eu vou arrumar a mesa enquanto isso. — declarou Francisco, se afastando um
pouco, mas não sem antes dar uma ultima olhada carinhosa no namorado.
***
Na
casa de Vanessa, as três crianças já haviam feito as pazes e agora assistiam um
desenho na tevê, quando a campainha soou, obrigando a mulher a se afastar deles
por alguns momentos e assim que ela abriu o portão, a sensação de felicidade
que estava sentindo pela filha estar alegre evaporou, ao ver quem estava do
outro lado.
— Ah, é você? — exclamou Vanessa enquanto saia
para a rua e fechava o portão atrás de si com pouco caso. Agatha estava
radiante agora que o amiguinho havia voltado a falar com ela, e a mãe não
queria que aquilo fosse estragado com a visão de Silas.
—
Claro que sou eu! Vim buscar a Agatha. — ao ouvir a frase, Vanessa piscou de
forma lenta algumas vezes, se esforçando para compreender a frase, afinal, não
era o dia que foi acordado no tribunal para o ex-marido vir buscar a menina e
ela informou isso a ele, mas não sem antes ter a atenção brevemente atraída
para o carro do homem, onde no banco do carona, a atual... Mulher dele
esperava, lixando as unhas e lhe lançando um olhar de desprezo que foi
devidamente retribuído.
—
Eu sei, mas tive vontade de vir buscar ela hoje. — algo ferveu no estomago de
Vanessa, que se esforçou para respirar fundo e manter a voz baixa, pois não
queria atrair Agatha para fora.
—
Olha Silas, não é assim que as coisas funcionam. Foi combinado com o juiz que
você viria buscá-la uma vez a cada quinze dias. A sua ultima tentativa foi há
menos de uma semana, depois do aniversário dela, lembra? E sim, a Agatha não
quer ir com você, mas se fosse o dia combinado, eu teria de insistir, afinal,
faz parte do acordo parental. Mas hoje não é o dia e você não pode aparecer
quando bem quer e achar que pode levar ela, como se fosse uma boneca de pano! —
no carro, a outra estourou uma bola de chiclete e gritou “Mor, vai demorar muito ainda ai?” ao que Vanessa franziu o nariz como
se tivesse algo estragado próximo ao seu rosto.
Ela
sempre detestou gente que chamava o parceiro de “mor”, e o fato de aquela
mulher, que foi responsável pelo fim do seu casamento, ser quem estava dizendo
aquilo, só tornou tudo ainda mais insuportável.
—
Um segundo, vida! — outro apelidinho insuportável. Mas talvez fosse só porque
ela estava com raiva da audácia do ex-marido, que para sua surpresa, quando se
virou para ela de novo, começou a gritar sobre pagar pensão e por isso ter o
direito de ver a menina.
—
Então é a isso que a sua filha se resumiu? A um valor de pensão? Você acha que
só por que paga aquela ninharia, que vai toda para os gastos com ela, se quiser
eu mando os recibos para o seu advogado, você acha que só por causa disso,
porque você “paga” então tem o direito de vir aqui a hora que quer e levar ela,
como se fosse um objeto que foi comprado? — em resposta, ela viu o ex se encolher como
se tivesse levado um tapa invisível no rosto e por dentro, Vanessa se sentiu
feliz de ter causado algum impacto naquele infeliz egoísta.
—
Não é nada disso... Eu amo a minha filha... — gritou ele, sendo chamado em
seguida outra vez por aquela coisinha escandalosa no banco do carona no carro.
—
E pare de fazer escândalo na frente da minha casa. Está chamando a atenção dos
vizinhos! — ordenou Vanessa ao mesmo
tempo em que cruzava os braços sobre o peito e franzia o cenho.
—
E tem mais, a Agatha não gosta daquela mulher ali. Ela me disse que aquela
outra ali falou coisas cruéis para ela. Sinceramente, se você quiser passar um
tempo de qualidade com a sua filha para que ela não te odeie no futuro, vai
precisar atender a algumas regras. — a expressão de perplexidade no rosto de
Silas quase fez com que a moça sorrisse, mas ela se segurou e manteve a
expressão impassível.
—
Quais regras? — Silas perguntou enquanto estreitava o olhar, ao que Vanessa o
informou das condições. Ele deveria vir nas datas acordadas no tribunal e não
deixar aquela mulher se aproximar de Agatha.
—
Só quem é mãe sabe os riscos que os filhos correm quando vão para a casa de
pais com... Madrastas como aquela ali. Os dias de visita têm de ser um momento
para você passar com a sua filha, com esta filha que já nasceu e está aqui no
mundo, para criar algumas boas lembranças. Mas, se você não consegue separar
quatro dias no mês para a sua filha, então não há nada que eu possa fazer... — Silas
demorou alguns minutos para responder, o que fez Vanessa duvidar se não havia
sido exigente demais, mas depois das coisas que Agatha lhe contou que aquela
mulher havia dito... “Aquela mulher”,
a outra tinha nome, Suellenn, mas ela preferia continuar se referindo a outra
como “Aquela mulher”, dava um
distanciamento saudável.
—
Tudo bem, eu concordo. Pelo menos você pode dizer para a Agatha que eu passei
por aqui hoje? — ao que Vanessa respondeu categórica que “não, não diria”.
—
A Agatha está feliz hoje, finalmente, depois de uma semana horrível que ela
passou na escola, eu não quero entristecer ela de novo. Mas digo que se quiser
vir buscá-la semana que vem, eu prometo que vou convencê-la a ir com você.
Só... Não traga aquela ali junto, ta? Você pode ter a sua vida pessoal, mas se
quiser manter a conexão de pai com a Agatha, vai precisar fazer algumas
modificações, pelo menos até se re-conectarem. — Vanessa então se despediu,
dizendo que precisava entrar.
—
Eu estou com três crianças lá dentro e não posso deixar elas sem supervisão por
muito tempo. Você entende, não é? Vamos combinando pelo whats a sua próxima
visita. Tchau. — e quando bateu o portão na cara do ex-marido, ela pensou que
não se sentia tão bem assim há tempos.
***
Joaquim
esquentou um pouco de frango que estava na geladeira com o qual recheou algumas
panquecas. Serviu nos pratos junto de dois copos de suco de laranja e enquanto
se sentava â mesa, deixou que um pequeno suspiro cansado escapasse.
—
Tudo bem? — Francisco perguntou, enquanto tomava um gole de suco e observava o
rosto do namorado. Ele estava meio abatido e exibia leves olheiras debaixo dos
olhos, que se destacavam em sua pele clara.
—
Tudo, eu só estou me sentindo meio... Drenado, sabe? Tem as provas do curso
técnico e... Os preparativos do casamento,.. Acho que é bom mesmo que eu vou
sair hoje... Estou precisando. — declarou o loiro enquanto empurrava um pedaço
de panqueca de um lado para o outro do prato.
—
Come mais um pouco. — sugeriu Francisco, enquanto via o namorado continuar
empurrando a comida de um lado para o outro do prato.
—
Eu estou sem fome... Mas tá tudo bem! — o loiro se apressou em dizer, para em
seguida tomar um grande gole de suco e levantar para guardar o resto da
panqueca no micro-ondas enquanto murmurava “mais
tarde eu termino de comer”, foi quando ele foi invadido por uma vontade
desesperada de soltar outro suspiro cansado, o qual com muito esforço conseguiu
suprimir.
Joaquim
sentiu os braços firmes de Francisco envolverem sua cintura e o peso morno do
tórax dele contra suas costas e só jogou a cabeça para trás, aproveitando
aquele contato carinhoso do namorado. Eles permaneceram assim por alguns
minutos, até que o próprio loiro se desvencilhou do abraço de forma sutil,
enquanto murmurava que Francisco ia se atrasar para voltar ao escritório se
demorasse mais.
—
Eu vou, mas você tem de me prometer que vai tentar se divertir hoje. —
Francisco viu os grandes olhos claros do namorado se erguerem para encará-lo e
sentiu como se uma batida do seu coração tivesse falhado, ele era tão fofo.
—
Pode deixar. — Ficando nas pontas dos pés, Joaquim beijou o namorado nos lábios
de forma lenta e consciente, sentindo em resposta a mão firme do outro envolver
suas costas para aproximá-los mais e aquele contato morno e intimo fez com que
o loiro ansiasse por mais, ao mesmo tempo em que sabia não ser possível, por
causa do horário de Francisco.
E
fazendo um esforço colossal, Joaquim se afastou de forma sutil do namorado
enquanto murmurava — É melhor a gente parar ou você vai chegar atrasado no
trabalho... — e então, se aproximando novamente, sussurrou: — Mas fique sabendo
que se a gente estivesse com tempo, eu ia adorar continuar o que estávamos
fazendo.
—
Digo o mesmo. — respondeu Francisco enquanto observava o outro morder com
leveza o lábio inferior e sentia uma fisgada leve abaixo da cintura em
resposta, soltando um pequeno riso abafado e em seguida se afastando para pegar
o molho de chaves, mas voltando para dar um segundo beijo, mais suave, no
loiro, e enfim sair do apartamento.
***
Quando
finalmente conseguiram chegar ao cinema, que ficava na Paulista, Diego e
Marcelo avistaram Darcy em pé na entrada do prédio, trajando um longo vestido
de crepe verde-musgo e com o longo e bonito cabelo loiro em uma trança lateral.
A moça conversava animada com Mayara, que estava com aquele vestido bonito com
estampas de morango e o longo cabelo escuro preso em um alto rabo de cavalo e
Letícia, que vestia uma jardineira jeans com uma blusa listrada por baixo, o
cabelo na altura dos ombros estava solto e esvoaçava com a brisa que vinha rua
acima.
—
Oi, boa noite. — cumprimentou Diego, sendo recebido com beijinhos suaves na
bochecha dados pelas três, que logo repetiram o gesto com Marcelo.
—
Então, alguém já viu a programação de hoje? O que vamos assistir? — perguntou
Marcelo enquanto observava o movimento na entrada do cinema de rua e ouvia
Darcy comentar que “Parece que o especial
desta semana são filmes de horror”.*
—
Bom, vamos só esperar o Joaquim chegar e dai a gente escolhe um cujo horário
não termine muito tarde, porque a gente vai jantar juntos depois, certo? —
observou Mayara ao mesmo tempo em que puxava o rabo de cavalo por sobre o ombro
e escovava os fios com os dedos.
—
Sim! Falando nisso, onde será que o fofinho está? — Darcy questionou enquanto
olhava por sobre o ombro. E foi quando ela viu o loiro se aproximando e ficou
encantada em como o rosto dele se iluminou quando os viu parados ali na porta
do cinema.
—
Oi, desculpem o atraso, deu problema na linha que eu estava e... — o rapaz teve
o resto da frase cortada quando Darcy o abraçou, sufocando-o não
intencionalmente no processo.
—
Que bom que você veio, mas... Cadê o Fran? — quando o loiro foi liberto do
abraço perfumado de Darcy, respondeu que o namorado precisou ficar na editora,
resolvendo um problema.
—
Poxa, que pena... Mas, teremos outras chances de sairmos todos juntos de novo.
E você conseguiu vir, então eu fico feliz. — declarou a moça enquanto fazia um
leve agrado no cabelo de Joaquim. Para ele, que era filho único, Darcy parecia
uma irmã mais velha, gentil e acolhedora.
—
Então, vamos entrar? Joaquim, as meninas disseram que hoje são filmes de
horror, tem algum problema pra você? — indagou Diego, recebendo em resposta uma
negativa em forma de gesto de cabeça por parte do outro.
Após
uma breve discussão sobre horários e duração dos filmes, eles optaram por ver
um clássico dos anos 1960 que envolvia uma jovem mulher grávida e paranoias que
se mostravam bastante reais.*
Joaquim
se sentou ao lado de Darcy, com Diego no seu outro lado, enquanto Mayara ficou
no acento perto de Marcelo, com Letícia do seu outro lado e assim que as luzes
se apagaram e o filme começou a ser projetado na tela, Joaquim pensou que
estava feliz por finalmente ter amigos com quem sair.
Continua...
Notas
do capitulo:
Bom,
por onde eu começo, além de pedindo desculpas para as pessoas que acompanham esta
história e que estão lendo este capítulo na semana do dia 29 de Agosto de 2026.
Eu sei que fiquei meses sem atualizar e dai agora venho e entrego... Este
capítulo que não é lá grande coisa.
Mas
desta vez eu tenho um bom motivo! Aconteceram algumas coisas bem tensas na
minha vida pessoal envolvendo doença na família que me impossibilitaram de
escrever. Eu não tinha ânimo para fazer isso!
Peço
desculpas pelo capitulo fraco e espero conseguir voltar ao ritmo antigo em
breve.
Agora
sobre o capitulo!
Tudo
o que foi apresentado na parte em que Vanessa discute com o ex-marido foi
pesquisado previamente, então nada do que ela disse foram “vozes da minha
cabeça”. Cada fala ali tem embasamento jurídico. +convenhamos, o Silas não é lá
um pai muito bom.
Em
seguida tivemos a reconciliação das crianças e confesso que escrever elas, é
uma das partes que eu mais gosto, porque preciso simplificar muita coisa e
deixar o dialogo o mais claro possível, como se uma criança de sete anos o
estivesse dizendo.
Também
tivemos um pouco de Joaquim e Francisco, a coisa quis esquentar, e prometo que
vai, futuramente, mas por hora, eles tiveram alto-controle suficiente para
deixar para depois. Todos os preparativos para o casamento, as provas do curso
técnico e o trabalho na loja de sabonetes estão começando a sobrecarregar o
Joaquim e em breve talvez isso apareça de forma mais explicita.
Agora,
duas observações referentes ao cinema de rua que eles foram.
1
. É o “Cine Petra Belas Artes” que fica na Avenida Paulista em SP, e durante as
sexta-feiras de 2019, aconteceu “a edição do tradicional Noitão”, realizada na
sexta-feira 13 de setembro, com o tema "Sexta da Seita". E aqui vai
uma observação, apesar de eles terem ido no sábado, eu mantive a programação
original.
2.
O filme que eles escolheram assistir foi “O bebê de Rosemary”, os outros dois
filmes exibidos naquele dia foram “O Mal Não Espera a Noite – Midsommar” e “Coração
Satânico”, eu optei por esse aqui por questão de duração. Mas preferi não
mencionar o título, por uma série de questões envolvendo o diretor e um crime
que ele cometeu.
Enfim
gente, mais uma vez, mil desculpas pelo atraso para quem ainda está
acompanhando esta história e se você leu até aqui, por favor, deixe um
comentário para eu saber que ainda há alguém que está lendo. Não precisa ser
nenhum comentário gigante, deixe algumas palavras só.
Obrigada
pela paciência e pelo apoio,
Até
o próximo capítulo,
Perséfone
Tenou.
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